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Outro dia

estive com ele, veio me perguntar como ela estava. Respondi que  passava bem, o casamento está marcado e a casa nova quase toda mobiliada. Vai se mudar novamente de cidade, já fez amigos na nova faculdade e, ainda mais, finalmente quitou as dívidas do passado. Vou vê-la no fim de setembro – acrescentei, sou madrinha. Ele ouviu calado, com um meio sorriso e um silêncio que refletia seus pensamentos. Ouvi a lágrima que se derramou dentro dos olhos que tentavam ser indiferentes e uma mão rápida que tratou de esconde-la. Mas somente uma,  a noite se encarregou das outras.

 

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[a menina e o passaro]

 

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.

Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…

Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…

E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.

Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.

Tenho de ir dizia.

Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…

Eu também terei saudades dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”

Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar.

Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…

Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.

Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…

-



Ruben Alves

Ponto inicial


Há uma estranha luz que não reconheço o brilho.
Vem do alto? Vem do lado? De onde?
Talvez fosse azul. Talvez fosse branca. Incrivelmente branca.
Creio eu que é branca, mas posso acreditar se disser azul.
Um monitor de algum computador. Ou de qualquer coisa. Não é isso que fará a diferença.


Interrogatório.


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eu tentei

[anteriormente aqui, mas nunca tão atual]



eu tentei me apaixonar por vc.

perdidamente.
é, perdidamente pq pra mim é assim,
é sempre coisa de pele.
tem que bater os olhos e sentir algo diferente no primeiro momento.


e foi mais ou menos assim.
a primeira vez que bati os olhos em você te senti diferente,
claro, todo mundo sente vc assim…
não deu pra sacar logo de cara qual era a tua, qual era a minha,
mas eu sabia que ia rolar alguma coisa.
rolou.


rolaram quatro anos de entendimentos e desentendimentos.
me senti extremamente solitária contigo.
você não conseguiu me abraçar do jeito que eu precisava,
não me acolheu como eu queria ou imaginava.
mas me deu algo que eu jamais vou esquecer
e nunca vou conseguir retribuir: maturidade!


você me obrigou a viver,
a pensar em coisas que eu jamais imaginei sozinha.
aos trancos e barrancos você me fez crescser.
obrigada!
eu te agradeço com a alma,
e te peço desculpas por ter que te deixar pra trás.


eu tentei mesmo me apaixonar,
me esforcei, dei o melhor de mim,
principalmente nos últimos meses.


você também não colaborou muito…
existem milhares de coisas em você que são assim
a tanto tempo e não vão mudar.
paciência.
eu não te condeno, não te culpo,
apenas espero a hora certa.
Agora criei condições de ir,
tiro meu time de campo.


E cada um vai se feliz pro seu lado.


é isso Brasília. valeu por cada momento.


mas Goiânia me espera com a certeza de um amor incondicional.
repleta de parques coloridos,
de praças habitadas, subidas, descidas, esquinas…
ah! com milhares de esquinas!
tem futebol local levado a sério.
tem distancias reduzidas
– principalmente entre os corações .
e o calor…
sobretudo o calor das pessoas, dos dias…


eu proponho um acordo.
nosso caso será diferente.
um novo caso de amor.
eu volto sempre que puder.
aprendi a te respeitar como tu és.
e a gente vai caminhando.
estou pensando em novas formas de viver a nossa relação.


é isso.





tchau







Capítulo III

Sonhei sonhos maiores
E segui a carreira que ‘abominava’

Pelo menos você está fazendo diferença no mundo
Resolvi me amar também. Construi família,
tenho filhos lindos e posso ir a apresentação de final de semestre do meu filho.

Eu tento deixar um mundo melhor para seus filhos
Você trate de deixar filhos melhores para o mundo

Há cura pro medo?

Todos esses anos tentei descobrir.
Tive meu refugio nos braços daquela que me deu amor
Mas sempre tive medo de mim perto dela

Eu sou livre pra dizer que não há

Eu sempre esperei você assumir seus riscos
eu teria assumido e ficado

adeus

e assumi
e fui…

(mas ainda te carreguei comigo, ainda que você não soubesse)

 

 

 

 

 



Sei que ela terminou
O que eu não comecei
E o que ela descobriu
Eu aprendi também, eu sei

 

 

 

 


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